Por Camila Silva
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| Foto: divulgação/caminhada do Samba do Zé do boteco de rua, Stela Maris, Salvador |
O baiano, compositor, cantor e poeta, Dorival Caymmi afirma na sua canção "Samba da Minha Terra" que "quem não gosta de samba, bom sujeito não é". Como uma verdadeira amante do samba, sou suspeita em concordar com ele, no entanto, preciso dizer que o seu verso é mais que correto, até porque o samba ao longo do tempo mostrou para o que veio e continua aqui, firme e forte, resgatando a nossa ancestralidade e fortalecendo a nossa cultura.
Para quem é leigo no assunto, mas deixa-se levar pelo gingado contagiante deste ritmo musical, o samba surgiu aqui na Bahia, lá no Recôncavo Baiano, na segunda metade do século XIX, com uma mistura de ritmos africanos, onde foi parar no Rio de Janeiro, criando raízes, fixando-se por todo o Brasil.
Como todo mundo já sabe, por uma questão histórica e estrutural, tudo que é ligado a cultura negra sempre foi alvo de todo tipo de discriminação e preconceito, por isso, durante a década de 1920, quem fosse pego dançando ou tocado samba, corria o risco de parar atrás das grades. Só mais tarde, que o samba passou a ser um símbolo nacional.
Sendo um dos ritmos mais ricos do mundo, o samba evoluiu e se desdobrou, criando outras variantes, como o samba de roda, samba de breque, partido alto, samba enredo e muito mais. São tantas formas de se fazer samba que eu ocuparia todas as linhas deste texto falando sobre cada uma delas e as suas respectivas histórias. Neste momento, você já deve esta se perguntando: "ué, você vai parar de falar sobre samba por aqui?". Muita calma e gingado nessa hora, porque hoje vou falar sobre um grupo de samba que vem fazendo história nos largos do Pelourinho e em toda a cidade de Salvador, reacendendo um velho conceito de samba.
SAMBA DE MALANDRO
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| Foto: Flávio Saan |
O grupo Samba de Malandro foi criado em 30 de abril de 2022, pelo babalorixá do centro Ilê Babá Ala Piti Okê e presidente do Santuário Zé Pilintra em Salvador, Wellington Luis, que criou o grupo como uma forma de homenagear a ancestralidade e difundir a figura do malandro e patrono Zé Pilintra, afirmando o valor cultural e religioso que percorre na fé e na cultura do povo brasileiro desde o século XVI.
O grupo mistura em seu repertório antigos sucessos do samba, bem como as cantigas para louvar o seu Zé, sendo conhecido nas religiões de matrizes africanas como pontos cantados. Além disso, o grupo vem ganhando destaque com participações em vários eventos, como na divulgação da biografia do Grupo Fundo de Quintal e no tradicional Caruru do Sal da Terra, no Pelourinho.
Segundo o fundador do grupo, vários projetos futuros já estão em andamento, inclusive, a participação na Lavagem do Bonfim, Festa de Iemanjá, Furdunço, Fuzuê e Carnaval, nos circuitos Batatinha e Dodô e Osmar.
"Seu Zé é grande! Seu Zé é muito mais do que o que as pessoas que não são da religião sabem sobre ele. Eu acho que nós temos a obrigação de divulgar, falar e ser a voz de seu Zé Pilintra no nosso cotidiano, na nossa vida, porque ele merece", afirma o baba Wellignton.
Ainda segundo ele, está tramitando na câmara de vereadores um projeto de lei que vai instituir o dia 30 de abril como o dia municipal de Zé Pelintra na cidade de salvador. Com audiências e consultas públicas realizadas nas redes sociais, a participação popular é elevadíssima.
Agora que você já sabe sobre esse grupo maravilhoso, que tal dá um pulinho no Instagram @sambademalandro.oficial para ficar por dentro de todas as novidades e curtir esse velho conceito de samba?
Amanhã, 03 de novembro, o Samba de Malandro irá fazer o seu ensaio pré carnaval gratuito, no largo Tereza Batista, Pelourinho, às 19h. Chame aquela sua amiga, seu (a) crush que gosta de sextar no Pelô e venha se divertir!
SOBRE O SRº ZÉ PILINTRA
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| Foto: Paula Cristina/1º Caminha para Zé Pilintra em Salvador, 30 de abril de 2022 |
Para quem não sabe, Zé Pilintra é uma entidade espiritual da falange dos malandros, cultuado nas religiões de origem afro-brasileira. Noturno, malandro, frequentador dos bares, amante dos jogos e das disputas, o seu comportamento, ao contrário do que muitos julgam, revela a humildade, bondade, sabedoria e alegria no seu modo boêmio de viver.
Por isso, muitas pessoas encaram a figura de Zé Pilintra com desdém, como se ele fosse uma ameaça para a sociedade. Entretanto, a atuação do malandro vai ao encontro do acolhimento para as pessoas sofridas, pobres e injustiçadas.
Ele é considerado o patrono dos bares, dos jogos, das festas e, claro, do samba. Por esta razão, foi também bastante difundido no Rio de Janeiro, por conta do estilo boêmio da cidade. É invocado por diversos seguidores, não são por aqueles que precisam de ajuda, mas também pelos seus devotos e protegidos.



Grande resgate, Camila ! Maravilha !
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